A relatividade da passagem do
tempo é questionada quando um mesmo minuto transforma-se em algo tedioso ou
esplêndido a alguém. A ansiedade muda as batidas do relógio e transforma
minutos em horas, tempo esse aguardado com o olhar perdido que tenta apressar o
tempo, mente que desconecta-se do todo ao redor e conta o andar dos ponteiros
com uma força ainda maior do que a respiração ou que o compasso desconhecido
dos pés no chão.
Tudo parece acontecer numa
lentidão agonizante - a espera produz tal sensação. Entretanto, quando o que
era aguardado inunda sua íris, tudo muda. As horas viram segundos transpirados
pelas suas mãos e vejo-me perdida na escolha de tentar segurá-los ou vivê-los em
sua velocidade. Curiosa sensação de felicidade me invade a cada sorriso seu que
acalma meus olhos e no silêncio me pedem que deixe o tempo passar e, apenas, o
sinta durante a sincronia de seus abraços.
Em meio a conversas e risadas, um
olhar ou outro força o atraso dos ponteiros, condenando a rapidez do pôr do
Sol, entristeço-me em perceber que a cada batida de minhas pálpebras é um
segundo a menos que eu não vejo seu
rosto. Mas, ao te olhar, sinto-me plena de amor por entender que cada minuto
decorrido se eternizou e por ansiedade ou apreensão de torná-los inesquecíveis
não compreendi que o tempo que compõe tais minutos, sou eu quem decide.
Em 1 minuto um beijo acontece;
uma criança nasce; alguém parte; dou a melhor risada; acontece uma decepção;
ocorre um pedido de casamento... A percepção do tempo é mutável, ou seja, 1
segundo pode ser 1 hora, 1 minuto pode representar uma felicidade de dias. É
inevitável vê-lo passar, pois, infelizmente, ainda não descobri como parar
momentos, mas aprendi a valorá-los de
modo que em um simples minuto caiba um número infindável de lembranças
intocáveis.
Não conto mais as horas, pois
torna-se difícil a partir do momento que temos que construir alegrias em
pequenos milésimos e, por um instante compreendo uma coisa: quando estou com
você, tais minutos passam rapidamente para que eu aprenda a eternizá-los e
quando estou só, as horas lentamente batem para que eu perceba a falta que você
me faz. A velocidade do tempo não muda, mas, sem dúvidas, possuímos o poder em
nossa mente de “manipulá-la” para que ao seu fim, possamos sentir se vivemos
dias vazios ou minutos de recordações.
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