quarta-feira, 4 de julho de 2012

Qual o tamanho da eternidade?




Pensamentos pairam com alguns questionamentos absortos, mas plausíveis ao ser humano. A todo o instante encontro indicações ou simbologias de eternidade ou infinito; e neste momento, paro para me perguntar: será que sabemos o que é eternidade? Nosso imediatismo gosta de falas vazias compondo frases de efeito, entretanto, qual, realmente, é o valor do eterno?
Ao contrário do que se imagina, não podemos alcançar a eternidade com os olhos. Nossa imaginação é falha quando se vê obrigada a projetar esse “algo” que não está ao nosso toque. Como, então, podemos eternizar tantas coisas e afirmar que todas elas são como tal? O mistério é que a eternidade não está em salientar e imaginar histórias possíveis ou desejadas de acontecer. A eternidade está na lembrança e direi o porquê.
Oposto ao que se pensa, a lembrança obtém um papel muito mais importante do que, apenas, ser um baú de passados. É nela que identificamos a intensidade de um sentimento, fazendo-nos perceber se algo vale a pena ou valeu a pena. Faz com que tenhamos a certeza de que nada foi esquecido; faz-nos moldar feições no vazio; faz-nos amar sem ver.
A eternidade supre a saudade. E são os pequenos detalhes que eternizam tudo. Eternidade é lembrar-se de um sorriso e ainda senti-lo; é sentir um carinho e não ver as mãos que o fazem; é estar sozinho e sentir-se acompanhado. Eternizar é reviver alguma coisa a cada segundo; é conversar sozinha e ouvir as respostas; é agradecer momentos; é desculpar-se através de fotos, mesmo que seja ao som de um leve e tímido choro.
Enfim, o eterno não tem limites, não tem voz, não tem cor, não tem formato, não tem nada. Espera-se que esculpamos, personificando-o em algo ou alguém. A cautela é bem-vinda, pois uma vez feito, não há volta. O eterno por si, não tem validade. Nós que damos se assim desejarmos, com a consciência de que alteraremos seu significado.
Desta forma, nós somos responsáveis por dar ou não finitude a algo. Somos chamados a cumprir promessas que nos aparecem de modo quase que imperceptível. Muito mais do que um simples símbolo, é a garantia da permanência daquilo que se tornou importante; é a descaracterização da palavra saudade, sendo um desenho de um conhecido sentido chamado amor.
Depois de tudo, conseguimos sentir esse peso que nos comprime em escolhas e saber que nada morre, na verdade. Assim, agora, sem dúvidas pergunto: Quão grande é a sua eternidade?

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