Pensamentos pairam com alguns
questionamentos absortos, mas plausíveis ao ser humano. A todo o instante
encontro indicações ou simbologias de eternidade ou infinito; e neste momento,
paro para me perguntar: será que sabemos o que é eternidade? Nosso imediatismo
gosta de falas vazias compondo frases de efeito, entretanto, qual, realmente, é
o valor do eterno?
Ao contrário do que se imagina,
não podemos alcançar a eternidade com os olhos. Nossa imaginação é falha quando
se vê obrigada a projetar esse “algo” que não está ao nosso toque. Como, então,
podemos eternizar tantas coisas e afirmar que todas elas são como tal? O
mistério é que a eternidade não está em salientar e imaginar histórias
possíveis ou desejadas de acontecer. A eternidade está na lembrança e direi o
porquê.
Oposto ao que se pensa, a
lembrança obtém um papel muito mais importante do que, apenas, ser um baú de
passados. É nela que identificamos a intensidade de um sentimento, fazendo-nos
perceber se algo vale a pena ou valeu a pena. Faz com que tenhamos a certeza de
que nada foi esquecido; faz-nos moldar feições no vazio; faz-nos amar sem ver.
A eternidade supre a saudade. E
são os pequenos detalhes que eternizam tudo. Eternidade é lembrar-se de um
sorriso e ainda senti-lo; é sentir um carinho e não ver as mãos que o fazem; é
estar sozinho e sentir-se acompanhado. Eternizar é reviver alguma coisa a cada
segundo; é conversar sozinha e ouvir as respostas; é agradecer momentos; é
desculpar-se através de fotos, mesmo que seja ao som de um leve e tímido choro.
Enfim, o eterno não tem limites,
não tem voz, não tem cor, não tem formato, não tem nada. Espera-se que
esculpamos, personificando-o em algo ou alguém. A cautela é bem-vinda, pois uma
vez feito, não há volta. O eterno por si, não tem validade. Nós que damos se
assim desejarmos, com a consciência de que alteraremos seu significado.
Desta forma, nós somos
responsáveis por dar ou não finitude a algo. Somos chamados a cumprir promessas
que nos aparecem de modo quase que imperceptível. Muito mais do que um simples
símbolo, é a garantia da permanência daquilo que se tornou importante; é a
descaracterização da palavra saudade, sendo um desenho de um conhecido sentido
chamado amor.
Depois de tudo, conseguimos
sentir esse peso que nos comprime em escolhas e saber que nada morre, na
verdade. Assim, agora, sem dúvidas pergunto: Quão grande é a sua eternidade?
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