
Parece loucura fechar os olhos e me imaginar em um outro lugar, simplesmente através da música que ouço.
Algumas fazem com que caiam lágrimas sobre minha pele, já outras, aumentam a esperança por um verso que revigora meu ser e redirecionam meus olhos para a parte mais bela do mundo e de todos os problemas - pois, aprendi que sempre há.
Porém, não compreendo mais se isso será bom ou ruim. Felicidades momentâneas te envadem e depois vão embora, assim que paramos para pensar, novamente, naquela situação indefinida que tanto te angustia. Ninguém vive de migalhas de amor, e esse sentimento tão pouco sobrevive das mesmas.
Aprendi que amor não se tira por sorte e, por muitos o fazerem assim, acabam abrindo feridas irreversíveis.
Já acreditei que no cair da última pétala, meu amor viria. Mas, o fato é que já vi muitas bailarem na brisa, sozinhas, até, lentamente, encontrarem o chão. E nada aconteceu.
Ás vezes, o se perder no horizonte seja uma fuga de realidade. Talvez? Descobri que sempre é assim. A dúvida ou indecisão acabam por se tornando uma personalidade involuntáriamente vestida por mim aos olhos dos outros.
Perdida no acaso entre a atração e a razão, culmino na unútil espera de um sinal seu. Temo em não poder criar esperança por algo que gostaria que tivesse.
O sim e o não apresentam uma dualidade muito mais profunda do que eu imaginava e me fazem errada quando estou certa, bem como o revés.
Deveria deixar meu coração voar, mas de tanto chegar perto do Sol, receio que toda a cera de espectativas se derreta e ele caia mais alto do que das outras vezes.
Estou vendo o mudar das estações e o clima volta a ficar mais frio, assim como antes. E à cada mudança, o vento espalha toda a poeira que eu deixei encobrir a palavra AMOR.
Momentos de desvaneios entre o querer e não poder, faz com que o silêncio incomode quem deseja gritar.
Mas, de que adiantaria? Você não me ouviria e se ouvisse, acredito que nada mudaria.
Pareceria fácil falar tudo à você se, simplesmente, eu não fosse quem sou. Porém, acho que tenho sorte em saber que os sonhos não envelhecem assim como nós.
Gostaria que você conseguisse compreender e dar mais valor às palavras que eu não sei dizer do que para aquelas que escuta de meus lábios. Pois são as não ditas, as mais sinceras.
Por quantas vezes me conduzi ao será do mal me quer e bem me quer? Muitas delas - posso dizer que quase todas - o bem venceu. Porém, de que adiantou despedaçar tantas flores por um talvez ao invés de fazê-las alegrar meu dia com a beleza que irradiavam? De que adianta? Essa é uma indagação que tem sido feita com mais frequencia do que gostaria que fosse, pois quem sabe, somente agora tenho visto o que realmente importa na vida.
Aos poucos desperto desse sonho no qual me submergi e estranho ao ver tantas pétalas ao meu redor. Não deveria ser surpresa, pois nada mais representam do que tudo de irrelevante que não denominei como tal.
Numa promessa de arrependimento, vejo o silencioso cair da última pétala da última rosa que tinha. Assim, aguardo que se façam realidade todas as palavras não ditas por meus lábios, mas que preenchiam todo meu ser e que só você não viu. Pois, agora, não quero mais viver de pétalas! Sim, platarei flores ao invés, e você virá com o desabrochar dos botões e não com o murchar dos mesmos e, enfim, saberei que adiantou esperar.
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