sexta-feira, 15 de junho de 2012

Espelho do tempo



Entreguei-me ao espelho. Conversei com ele como se nada mais pudesse fazer para aliviar minhas tensões. Sugeri a pessoa que constantemente me olhava que, um dia, ela parasse de sofrer tanto. Supliquei respostas e ela nada fazia além de balançar a cabeça em tom de negação.
Gostaria de compreendê-la, mas...Quem ela é afinal? Procurei semelhanças que não encontrava, mas, quando eu sorria, ela também sorria; quando eu chorava, ela também chorava e blafemava os piores insultos que alguém poderia rebecer. Bem, acho que merecia, pois percebi que aquela imagem sabia mais sobre mim do que eu mesma.
Por que assim? Entre pontos e vírgulas; entre adjetivos e substantivos, não consigo tão pouco chegar a descrevê-la... Eu sei que ela conhece as mesmas músicas que eu e as canta com a mesma veemência quando as coloco para tocar.
Um dia passei um quarto da hora olhando para ela sem saber o porquê. A ternura que ela emanava naquele dia me surpreendeu e por um minuto aquela imagem se tornou semelhante à mim. O vidro havia embassado pelo ambiente fechado, o que afastou-a de minha visão.
Ao escrever uma letra no vidro, percebi que a cada curva que meu dedo fazia, por entre as gotas no espelho, a mesma imagem me olhava e sorria.
Parei, peguei uma toalha e limpei tudo aquilo com a intenção de descobrir tudo que estava acontecendo. Olhei-a nos olhos e ela sorriu novamente...Por um minuto percebi o que se sucedia. Ela amava a mesma pessoa que eu, por isso que somente sorria quando eu pronunciava o nome dela.
Mas, aos poucos compreendi que ela sugeria uma compreensão muito maior, pois expressava muito mais do que a imitação de minhas externas emoções. Ela demostrava o que meu coração sentia o que havia de mais profundo em minh'alma.
Eu era ela, ela, contudo, era somente metade de mim. Eu sofria mais do que ela, porque ainda não conseguia enxergar meu coração decodificado.
Sou mais inocente do que imaginei. Há tantas coisas que descobrir, tantas coisas que entender que, hoje, eu não mais a olho com indagação, mas com admiração, pois penso o quanto é feliz aquele que não carrega nenhuma barreira entre si e o seu coração. Pois, entre o meu e eu, ainda há uma pequena película nebulosa com a qual luto e lutarei até minhas últimas forças!
Desta forma, depois de tudo isso, essa imagem do espelho não mais representou um estranho, mas se entrelaçou comigo e nós, enfim, somos uma só... Sem segredos e cumplices do amor.

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