terça-feira, 23 de setembro de 2014

Apenas uma palavra

Tudo começa por duas palavras essenciais: sim e não.
Talvez, você me diga ser isso uma besteira
Tem outras palavras que podem definir as coisas sim,
Mas nem todas são tão decisivas.
Em apenas uma palavra o mundo pode entrar em guerra,
Ou a paz ser restaurada.
Em apenas uma palavra uma nova vida pode ser criada ou destruída.

Eu entendi o significado disso quando ainda era jovem.
posso me recordar dos momentos que eu, sem querer,
Engolia versos que tanto pensava em dizer.
Engolia-os por causa de uma outra palavra: medo.
Elas podem mudar o mundo
Esperança, repreensão, medo, amor, raiva, compaixão...
Tão interessantes de sentir, mas tão inibidoras dos circulos gráficos que as rodeiam.

Seria mais fácil se pudéssemos entender tudo que se deseja falar
Por apenas tê-las pronunciado, mas nem tudo é assim.
Se precisa de um teatro de elementos que acabam por sublimar seus reais significados
Nos rodeios cansativos de minha língua.
E assim, eu finjo, finjo sentí-las dentro de mim, finjo entender aqueles que as sentem.

Elas fingem em mim, e fazem com que eu finja meu próprio eu.
Uma mármore disfarçada em pele, em sorrisos e choros.
Dores e alegrias que se anestesiam em mim.
Tornei-me repugnante e o tempo...
Ahh, esse senhor do mundo e do imundo
Senhor austero dos mortais

Ele não me perdoou
Ele nunca perdoa.
Transformou-me na mais sórdida palavra que podia existir: humano.
Tirou-me de minha mente
Descarrilou esses latinos raivosos do meu coração
Soprou as secundárias palavras que estavam as redor de outras

De tanto que o blasfemei, hoje, sei que foi o melhor que fez
Abraçado por tantas palavras, eu nada dizia
Sufoquei-me na imensidão que me perdi.
E despertei para essa dança fúnebre que se chamava de vida.

Rodeia em mim palavras! Apenas as que quero ouvir!
Venham em mim o tempo que agora seu amigo sou.
tic-tac, tic-tac...tum-tum, tum-tum...
Meu coração se aliou a você
Me mostre apenas uma palavra
Quero subir à planície
Quero derreter-me ao sol.

Com apenas uma palavra que ouvi, eu me queimei
e cada vez que a pronunciava, eu me queimava
Mas no lugar, uma nova pele se formava.
Eu voltava aos poucos
Quando o tempo não fez mais rodeios e
Apenas repetia no que restou de mim:
Tentar, tentar, tentar...









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