terça-feira, 24 de fevereiro de 2015


  Durante um tefonema angustiado, uma jovem moça diz:

- Sabe como me sinto, realmente, amiga? De verdade?
A amiga responde ainda sem entender:
- Como?
Como alguém que está querendo abraçar um cacto...Que, ainda que esteja sangrando não consegue deixar de abraça-lo.
Perplexa com o que havia sido dito, a amiga questiona:
- Mas por que?
- Porque eu o amo e não quero perde-lo. A cena que imaginei é que eu sinto quando estou com ele.... Cada vez que eu tento segura-lo, uma palavra dele me fere...me faz sangrar e o que eu faço? Aperto- o mais...e eu sinto cada espinho na minha pele, cada palavra dita. E cada vez que eu sangro, mas eu o abraço. E ele ainda acha q não é amar.
De uma forma emocionada ao ouvir os prantos da jovem, a amiga - com a garganta bargada- fala:
- Já falou isso pra ele?
E a jovem moça responde:
- Não...acho que ele não entenderia.
Então, já com a voz tensa em ver a aflição da amiga, ela diz:
- Por que você não explica como é o seu amor para ele?
Chorando e quase sem força na voz, a moça responde:
- Dizem que quando o amor é explicado, é porque ele não existe mais... Ele pode tentar explicar o amor...Mas eu, a cada dia, eu existo menos.


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