
Tesouras, linhas, lápis, recortes.
Desenhos, rabiscos, croquis.
Numa sala escura, encontro tudo espalhado e um jogo antigo de quebra-cabeça.
Entre montagens, desmontagens, e reflexos de espelhos na escuridão,
Um feixe de luz ilumina as peças do jogo.
Seria algo de antiquário, talvez, empoeirado.
Ainda faltam duas peças.
Olhos perdidos no breu,
Procura incansável, insensata.
Alternativa: Permanecer alí.
Sem saída, entorno de carpetes e paredes vermelhas,
Não há portas, portais, escadas, túneis...
Raciocício vencido pelo cansaço, porém vívido.
Estou presa nas paredes do meu coração.
E não quero sair antes que encontre as duas peças que faltam para completar esse jogo.
Uma já chegou: sou eu, e a última...
É aquela que desconheço.
A busca prolongada permanece até que a encontre e as luzes apareçam nessa escuridão.
Remodelando os croquis, desenhando os rabiscos, rasgando os recortes de saudades
Presos em entrelinhas de palavras, em lâminas de tesouras.
Muito bom!!! =D
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