Muitas são as que nos traem, tropeçam em nossa felicidade e, inconformadas, tentam destruí-la.
Palavras fúteis, palavras sensatas, amantes palavras, palavras de paixões.
Enganam-nos e, como fantoches em seus tons, transformam o amor em uma simples sensação.
Palavras de dor, palavras de felicidade.
Um amor que se esconde nas palavras ou palavras escondidas num amor transbordam uma cumplicidade que desnorteia.
Pois, uma vez escondido em palavras, esse amor poderá se desfazer em letras perdidas e nunca ser descoberto.
Porém, se em suas veias houver palavras não ditas, este, também, poderá se esvair; pois o tempo desgastará as incógnitas que ficaram vazias desde o início desta história.
Por muitos anos, tento esconder em minha garganta,em meio à mãos trêmulas, um amor descompassado que escrito numa mesma folha, seguem diferentes direções que talvez, nunca se encontrem.
Já perdi palavras por medo de usá-las.
Já tentei me redesenhar em versos que na verdade não diziam nada sobre mim.
Já tentei me encontrar em palavras alheias e esquecer outras por receio de conhecer minha parte secreta.
Percebi que ao preencher toda uma folha com seu nome e observar minha caligrafia como se analisasse a mais linda obra de arte; não significa que terei sua presença.
Notei que as palavras se transfiguram dependendo do momento ou circunstância que as leio. Um mesmo dizer pode me levar ao paraíso como pode ser a razão do fim do meu dia, mesmo que esse tenha apenas se iniciado.
Muito mais que gestos, as palavras escondem um poder que ainda não conhecemos. Podem ser brandas como uma brisa ou devastadoras como um trovão.
Impedir-se de se magoar com elas é quase que impossível, a não ser que descubra, enfim, uma maneira de rebater a acidez de um verso com a doçura de uma única palavra: AMAR.
A medida que reconhecemos o verdadeiro significado desta palavra, não sob a forma denotativa, mas conotativa, notamos que uma simples vírgula em uma frase pode salvar um amor em segundos, enquanto que um ponto final sem ressentimentos pode destruir uma vida de anos.
Ficamos perdido em meio delas, reféns do alfabeto da vida. Porém, nossas palavras nunca devem ser nossas inimigas, pois quando essas tornarem-se as vilões significará que perdemos de uma vez o dom de usá-las.
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