Parei, como se tudo a nossa volta tivesse parado em um conjunto hamônico surrealista.
O ar congelou meu cérebro e somente meu coração eu ouvia bater.
Entre um "Oi", "Hi", "Hola", ou qualquer idioma que fosse, percebi que nada havia percebido, além de você.
Olhares entrelaçados perturbaram-se no tumulto do vagão...corri num impulso e perdi-te em meio do gelado verde das paredes.
Em instantes de procura, vi seus olhos tocando delicadamente meu rosto. Corpos inertes perderam-se em sensações, enquanto que numa distância indesejada continuávamos.
Seus lábios, despertados num sorriso voluntário ou não, descompassaram as batidas no meu peito que retribuiu um olhar envergonhado e decrescente que por fim encontrou o chão.
A multidão aumentou, quebrando a escultura que fazíamos com nosso olhar.
Adormeci e, num susto, acordei procurando-te, mas não o vi.
O relógio contou os segundos até que ele se elevantou. Num sorriso triste, acenou -me com a cabeça e desceu... Acompanhei-o na despedida refletida pelos vidros até tudo se tornar obscuro novamente pelos túneis.
Um amor de instantes, de trilhos, de estações que ficarão na mémoria dos acasos inconcretos que nos levam ao paraíso e depois nos deixam entre uma plataforma e outra.
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