sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Sou?

Sou as p a u s a s dos segundos,
aquelas que ninguém vê, mas sabe que existem.

 Sou o 12º sonar do sino, aquele que ninguém mais percebe,
pois sabe que o minuto já passou.

Sou a última página de um livro de história para crianças,
aquela que não é mais ouvida, pois as outras já cumpriram seu papel
de transbordar a criança no sono.

Sou o som dos carros para aquele que ouve música,
pois passo por despercebida.

Mas, ao mesmo tempo, sou o ar
Sou a água,
Sou os sorrisos
e as lágrimas.

Essencial para uns, dispensável para outros.
Sou o que deveria ser, o que me fiz ser.
Sou o que fizeram de mim,
Sou o que o futuro moldará.

Presa ao tempo?
Não, creio ser presa à história.
A história dos dias,
à história que não fiz acontecer.

Sou presa às lembranças.
Àquelas de quem fica, enquanto me despeço.

Sou mente, encontro, despedida, reencontro
Sou passado, presente, e incerto futuro
Sou um sorriso velho, um carinho trêmulo
Sou o grito, o sussurro
Sou a obediência e seu inverso.

Sou um livro lacrado, julgado pela capa
Sem sinopse lida
Sem força de se abrir.
Transformo-me em brisa e, aos poucos fico no ar.

Sou memória e desmemória de qualquer um.

Quem eu sou?
Talvez uma página virada, ou um novo verso escrito.
Sou o molde de outras vozes ou
Construo-me pela propagação da minha?

Sou o abismo livre de um sonho
Ou o mais intenso derradeiro fim

Sou, então, a saudade.
Saudade do tudo e do nada.
Vendo que uma brisa
Pode ser uma ventania.


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