terça-feira, 23 de abril de 2013

A última palavra





Ríspidos porquês sem respostas coerentes,
estabelecem a triste melodia
saboreada pelo peso na garganta.
Sobre preces flutuantes desfazem as lágrimas.

À Deus entrego um adeus finito,
agoniado na fala, desvenda nos livros, os códigos diáfanos.
Tira da vida o "v" e se vai no caminho bifurcado.

Em entrelinhas pseudo-líricas,
apego-me no desapego nebuloso,
onde perdura o amor
dos versos de Shakespeare.

Com palavras de carmim,
escrevo um tratado solitário.
Prometo esconder-me no vidro
com os ponteiros do relógio.

Permanecendo, assim, minha'lma
intácta, inerte na esperança certa
de voltar a ver as manhãs de Abril.

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