domingo, 23 de dezembro de 2012

Uma carta de Adeus...

Pela manhã resolvi pegar uma antiga carta não terminada. Soltei um suspiro ao ver que já havia escrito três folhas com versos e frentes abertos em chagas. Tremi ao ver partes em que minha letra parecia chorar. Peguei-a entao e comecei a leitura. Meu peito estremecia, minha garganta esquentava cada vez que prendia o choro. Era verdade, eu havia escrito aquilo tudo... Porém, o que mais torturava meus pensamentos era saber que teria que terminá-la. O destino dela? Eu mal consigo pensar, quizá pronunciá-lo, pois creio que não aguentaria ouvir minha voz ao dizê-lo. Parei de lê-la ainda pela metade, sentei-me na cama e se seguisse meu impulso teria amassado aqueles papéis que, apesar de terem sido escritos por mim, eram meus inimigos. Fui até a janela e olhei o céu, enquanto minhas lágrimas caiam sem cessar. Eu me perguntava o porquê de tudo aquilo, mas nada ouvia além do som do vento. Resmunguei por todos os cantos do céu, mostrando que eu ainda estava com a carta nas mãos, mas não queria terminá-la. "É uma carta de adeus!! O Senhor sabe disso? Me ajude!", gritava em silêncio para que Deus me ouvisse. Sei que Ele estava ouvindo, mas ainda me sentia sozinha. Não havia escolha naquele momento e decidi não tremer tanto a caneta a medida que continuava escrevendo. Escrevi uma ou duas linhas ainda sem querer pôr aquelas palavras que me vinham a mente. Eu o amava ainda mais a cada letra que colocava no papel, mas minhas lágrimas não paravam de cair quando pensava que ele, talvez, não acreditaria nisso. Não sabia como terminá-la, talvez com um "adeus", mas, e se fosse um "até logo"? Eu já nem sei o que era ou o que viria ser, sei que agora, nada mais representava à mim do que  um emaranhado de palavras atrizes de uma felicidade. Felicidade que personificou-se num punhal quando li a ultima palavra que escrevi: Adeus. Não acreditei naquilo, queria que todos me julgassem, nenhuma dor seria maior do que aquela que estava sentindo. Guardei a carta ainda chorando. Tudo que eu queria era receber um abraço assim que a entregasse, mas já não sabia se isso iria acontecer. Fiquei deitada pensando em tudo e em nada, então tive a amarga conclusão de que quando escrevi o "adeus", estava me despedindo de tudo aquilo que permaneceria vivo naquela carta e em minhas lembranças. Em súplicas silenciosas, chamava aquele que a receberia, e mesmo que não me ouvisse, acredito que estivesse sentindo cada vez que dizia que o amava. Tinha ciência de tudo que estava por vir, mas teimo ententar mostrar que tudo suporto, ainda que nada suporte. Em teias de arrependimento, fechei a gaveta, ouvindo o choro daquele que amava ou talvez fosse o meu, talvez fosse o nosso... Saber, sem nada mais a dizer, esse adeus fechou a noite e esfriou o dia, sem me contar quando mudaria de estação. Pequei contra um anjo e, sem saber como, pedi para que ele me perdoasse. Amei um anjo e em uma carta de Adeus, à Deus confiei um destino e pedi perdão pelo tão divino amor que ousei um dia ter.

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