domingo, 30 de dezembro de 2012

Fênix



Precisei de uma outra caneta.
Num papel rabiscado, um rascunho.
A calda ressurgia em chamas.
E a cada pintura,
A figura da mais linda Fênix
Irradiava na sala.

Antigos marcadores condenavam
A mesma pintura já havia sido feita
Em cinzas transformada
Recolhidas e deixadas em um baú.
Desenhos repetidos
Inacabados...

A caneta sempre falhava
Ao procurar outra,
Os rascunhos se aprontavam.
Outras mãos os desenhavam.
Em tons que não queimavam nas chamas.

Num anoitecer, o choro caiu.
Na inconsistência de todos os traços,
A incompetência de seu término.
Num baú de tentativas,
um corpo se curva ao choro.

Em cinzas lamentadas,
O combustível de lágrimas caídas,
Toca os desenhos repartidos em dor.
Da esperança do sonho,
O arder da chama.

Plena em felicidade,
Contornada com a mesma tinta que suas mãos tocaram.
Num só toque,
Um renascimento
De uma completa Fênix
Serva do amor.

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