Talvez fosse diferente de como imaginei. Na verdade, nem sei muito bem o que minha cabeça estava pensando sobre isso. Uma silhueta, penas um rabisco de cores que destoavam das demais.
Não entendo o motivo, nem mesmo sei porquê que a silhueta tomou forma a partir do momento que a vi.
Conforme caminhava percebi a mármore em meu coração que, aos poucos, se mostrava tão líquida quanto o sentimento empedrado que imaginara ter.
Não interessava como fosse, eu não podia falar, mas os sinais vitais de meu corpo reagiam como os maiores delatores que eu já havia visto.
O refúgio côncavo que se formou parecia o mesmo de antes, ainda que eu pensasse ter mudado.
Dores, inconstantes alegrias soberbas que cismam em dizer "fica aqui", mas que desmontam o general olhar para abrigar um pequeno sorriso pueril.
Onde estavam as falas ensaiadas, as não demonstracoes voluntárias de carinho? Eu não sei, talvez tenham ido para meus labios, os únicos que sustentaram a representação medíocre de dizer "suma', enquanto meus olhos diziam "permaneça"
Lastima saber que o minuto passou e a silhueta transfigurada em saudade não percebeu que a cada passo que eu dava, deixava amor.
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