
Era uma comum tarde de sábado, pois tudo se transcorria como sempre. Ele, no entanto, não compreendia sua trsiteza. Pensava e não chegava a nenhuma conclusão. Era algo maior do que ele pudesse explicar, um aperto muito grande no peito que o angustiava.
Havia se passado 1 ano que ele tinha se separado de sua namorada e, ainda assim, não tinha sentido tal sofrimento. Eles não se falavam muito e ela mesma as vezes o evitava, pois ainda não o tinha esquecido, na verdade, ela ainda o amava mais do que um casal com 30 anos de casados pudessem um dia compreender. Porém, por necessidade da vida, preferiram ficar um pouco separados, sozinhos. E assim, permaneciam até então.
Antes da separação eram acostumados a escrever um para o outro e estarem sempre se comunicando. Era como se não conseguissem permanecer um momento se quer longe desse amor. Mas, durante todo esse tempo tiveram que aprender a suportar as súplicas do coração. Ele não aguentava mais aquela dor que estava sentindo, pois assim que a percebia ardendo em seu peito, sua amada vinha a sua mente. Não sabia explicar, já havia se deitado co um nó na garganta e chorado sem motivos aparentes. Era algo maior do que a saudade que costumava sentir.
Num ímpeto de quebra do orgulho, pegou o celular e mandou uma mensagem para ela - ele sabia que ela responderia, pois conhecia o coração dessa que tanto amava e ainda considerava a mais pura de todas as criaturas. Na mensagem ele perguntava como ela estava e no fim um tímido TA - ela compreenderia.
Um dia se passou e ela não respondeu. Seu coração disparava e doía. Por que estava acontecendo isso? Junto com sua angústia havia um medo irradiado. Ele não se conteve e telefonou para o celular dela - daria tudo para ouvir aquela voz que sempre o acalmava. Ele ligou diversas vezes e ela não atendeu. O aperto misturado com uma ansiedadde bateu de contra ao seu peito e algo lhe dizia que a ausência dela estava diferente. Sem pensar duas vezes, pegou o telefone e ligou para a casa dela. Depois da terceira tentativa, a mãe dela atendeu. Ele perguntou por ela e percebeu um longo suspiro da mãe após sua pergunta, quando ela disse "esqueça-se dela", desligando o telefone.
Ele não sabia o que fazer, apenas sentia que algo estava acontecendo. Deixou o dia se pôr e, na manhã seguinte tornou a ligar. Desta vez foi o irmão dela que atendeu e disse que ela não estava em casa, de uma forma nitidamente exitante. O rapaz insistiu como irmão dela após sentir um leve som de choro ao fundo. O irmão ia desligar o telefone, mas o rapaz suplicou ao perguntar por esta que amava. Foi então que o irmão disse que ela estava no hospital há 5 dias - exatamente quando o rapaz começou a sentir a angústia -, pois havia tido um problema grave no coração. Era como se o mundo houvesse parado ao seu redor a respiração se tornou densa ao perguntar o hospital em que ela estava.
Ao desligar, ele caiu em um choro que parecia não se recuperar. Sem forças, saiu em direção ao hospital. Quando chegou, deu o nome dela no balcão de atendimento e foi encaminhado para o quarto que ela estava. Ele a viu deitada, dormindo ainda. Seu rosto estava plácido como de um anjo que ele sempre acreditou que ela fosse. De repente, ele se pegou relembrando dos momentos em que ela repousara em seus braçõs e pegara no sono - daria tudo para voltar o passado. Ele chorou com as mãos grudadas no vidro que os separava, como se dessa forma, ele pudesse acariciá-la. Tudo que ele queria ela segurar as mãos dela e dizer que estava ali, que nunca havia deixado de amá-la.
Mesmo de longe, elle podia sentir a textura das mãos dela e deixou molhar-se pelas lágrimas novamente por vê-las picadas por uma agulha. Ele lembrou de quando ela lhe disse que não suportava esse tipo de procedimento de soro através das mãos. Ele se culpou de não estar ao lado dela nesse momento que deveria ter sofrido tanto. A família dela havia chegado depois de 2 horas e o impediu de entrar no quarto dela. Ele pediu, disse que a amava mais do que eles pudessem imaginar. Ainda assim, era como se não compreendessem a dimensão desse sentimento que ia além da razão humana; e permaneceram em sua decisão. Porém, o rapaz ficou do lado de fora do quarto o tempo todo e não sairia do lado dela.
Quatro dias se passaram e o estado dela piorava. Ele rezava com todas as forças que poderia ter, pois não aguentaria ficar sem ela. Por isso, lá permaneceu dormindo noite e dia, voltando para a casa só para banhar-se e comer algo. Ele estava abatido e sentia-se vazio a cada dia que não podia ver os olhos dela se abrirem. ela parecia estar consciente, mas ainda assim, dormia um sono que, para ela, parecia não ter fim e o feria por dentro a cada hora que passava.
Ele percebia que, as vezes, ela sorria durante a noite - talvez estivesse sonhando ou algo assim. Será que ela poderia ouví-lo? Segundo os médicos, não havia previsão de que ela acordasse, estavam fazendo de tudo, mas para operarem ela deveria apresentar algum estímulo nítido de consciência. Isso angustiava a ele e a família dela que já estava dando notícias sobre ela á ele, por ver a insistência do rapaz em estar ali o tempo todo, mesmo que não pudesse entrar no quarto. Ele observada a tudo e tinha a sensação de ouvr os risos dela. Ele já havia esquecido a situação deles dois, só queria vê-la bem agora. Foi quando viu que a fragilidade dele estava lá, imóve e aparentemente incosnciente. Será que o reconheceria depois que acordasse? Se não, queria reconquistá-la de novo.
No décimo dia ela abriu os olhos assustada. Sua família toda estava ao seu redor, mas ela nada mais disse além de apontar para o vidro onde o rapaz se encontrava do outro lado. Com uma voz fraca pediu para vê-lo. A família atendeu a solicitação e o deixou entrar. Ele olhou-a e disse que a amava até perder a conta. Ela sorriu e pediu para que ele fosse feliz, torcia para que alguém o fizessem ter essa felicidade. Pediu para que ele prometesse isso e lembrasse dela com carinho. Eles sentiu as lágrimas nascendo em seu rosto e pediu para que ela não dissesse isso, pois ele nunca amaria ninguém como ela. Ela ergueu uma das mãos e tocou o rosto dele da forma que ele amava e disse que se o amor deles fosse verdadeiro eles ficariam juntos. Ele disse que era e que não conseguia imaginar uma vida sem ela, pois já tinha sido muto dificil ficar sem esse carinho durante 1 ano. Ela sorriu um sorriso que, segundo ele, era angelical e disse que sempre o amou e sempre o amaria, mas que tinha que prometer que seria feliz mesmo sem ela. Ele exitou, mas os olhos dela suplicaram até ele concordar em meio a um pranto. Ele beijou de leve os lábios dela e ela retribuiu um beijo simples, mas repleto de amor. Então, olhando o rosto dele outra vez, ela sorriu, neste momento ele ouviu o aparelho ao lado da cama apitar anunciando que o coração dela havia parado. Os médicos entraram e disseram que já não havia nada a ser feito. Ela havia partido.
O rosto, ainda rubro, dava a impressão de que ela a qualquer momento iria acordar e abraça-lo em torno do pescoço como sempre fazia lhe dando os mais doces beijos. A família dela se comoveu com o sofrimento do rapaz e o consolou, mas ele não deu importância para isso. Só queria estar ao lado dela para sempre. Ele se ajoelhor perto da cama e rezou alto em súplicas de palavras cortadas pelo choro. Pedia que o deixasse amá-la como sempre quis, pedia um milagre. Ele passou a tarde rezando com todas as forças que pudesse ter. Ao entardecer, o quarto ficou escuro e ele viu um breve clarão. Uma voz suave o falava. Ele não conseguiu distinguir o que era, mas nem foi preciso. Essa voz, que transmitia uma paz, disse que era um anjo e estava ali enviado por Deus. O rapaz não acreditou, mas continuou ouvindo perplexo. O anjo explicou que assim que ela faleceu, Deus percebeu o quão puro era o amor dos dois, uma pureza e proteção que ia além dos padrões do mundo. Deus foi misericordioso - disse o anjo - e mandou um de seus anjos se sacrificarem por um espírito puro. E eu - falou o anjo - aceitei a missão para dar a vida àquela que você ama. Um anjo pode morrer por outro. Cuide bem dela.
O rapaz ainda gaguejando disse que sempre soube que ela era um anjo. Mas, o anjo disse "não é ela o anjo, é você". E assim, irradiiou um enorme clarão antes de desaparecer do quarto. O rapaz segurava uma das mãos dela e quando olhou para o lado, viu que ela havia despertado e sorria em direção a ele. Ele a beijou com uma felicidade que as palavras não ousavam explicar e percebeu que não era imaginação, pois os lábios estavam quentes novamente.
A família dela não acreditou quando ele contou, mas não sabia explicar tal milagre, nem mesmo os médicos diagnosticavam isso. O amor dele foi maior do que tudo e confirmou isso. Para sempre permaneceriam juntos de alma e coração, com o mais importante conssentimento de todos: o de Deus. Um anjo morreu por um anjo que amou mais do que o próprio mundo pudessse sentir.
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