segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Apenas um Sonho

Conto de fadas
Não tão reais como antes.
Sonhos distantes
Opõe-se a espalhar tal névoa que encobre seu rosto.
Príncipes e princesas se desfazem
Com o ecoar dos segundos no ponteiro do relógio.
Assim, dura realidade
Mostra quem és!

Anos de sonhos em sequência perfeita
Que arrancava os mais profundos suspiros
E alimentava as esperanças.
Hoje, minha mente sente dificuldade em lembrar...
Percebo que quatro anos se passaram.

Na memória?
Pequenos detalhes ainda se mantêm de pé
Dividindo-se na busca de alguém que os tenha.
Inútil procura que deixa lágrimas sobre o papel.

Textos rasgados
Amaçados
Gritam no solitário silêncio
as palavras que não queria que existissem
Ergo-me intacta,
Não demonstro tal transtorno,
Mas estilhaço-me na primeira música que ouço.
Simplesmente uma música que emociona?
Não, é a angústia mascarada, presa, que se liberta.

Finais felizes confundem-se com tanta contrariedade
Algemado em livros e filmes
Onde a linha entre o real e o imaginário
É mais profunda do que pensava.

                                                                Esperança no impossível,
Desesperança no que está em alcance
Doces sonhos
Na amarga realidade.

Meus olhos estão cansados de errar.
Equilibro-me em expectativas duvidosas
A dúvida tornou-se amiga
A expectativa...inimiga
Que se transfigura em possibilidades momentâneas;
Breves momentos que abrem um calabouço sob meus pés.
Encontro-me sem chão
Sem ter como impedir a queda.
Tenho a sensação de Dejavu
Percebo que estou caindo no mesmo calabouço há anos.

Agonia amenizada, por instantes,
Através de delicadas placas de cristal
Que a esperança constroe sob meus pés.
Sinto-me segura por momentos...porém,
Frágeis, desmontam-se em encontáveis pedaços.

Continuo caindo...
E no cristal despedaçado
Encontram-se as cenas de filmes, livros e sonhos.
Passam por mim, arranham minha pele
Deixam cicatrizes e lembranças intocáveis.

Não as alcanço
Mas já não sei se quero alcançar.
Meus olhos correm num ansioso balet
Buscando um alicerce que não há.

O último estilhaço de cristal passa por minha pele
Em seu reflexo...
Os sonhos que tivera há anos.
Na certeza de uma incerta esperança desespero-me e o recolho.
Aperto-o contra o peito
Pele e cristal se fundem
Pois a magia ainda existe!

Nasci com a implacável missão de viver sonhando
Sozinha...autora e espectadora de meus sonhos
Invento falas em salas vazias,
Cenários nos espaços deixados pelo vento.
Fecho os olhos, mergulhando em inesplicáveis sensações,
Em supostas luzes brandas e músicas invisíveis
Que acalentam minha’lma por segundos.

Como como canção de ninar,
Adormeço num transe imaginário.
Leve, meu espírito sobre voa em minhas invenções
Sinto-me bem...

Num instante...
O chão impulsiona meu corpo à percebê-lo.
Abro os olhos num ímpeto!
A consciência é recobrada,
Músicas interrompidas, faces embaçadas,
Cores sobrepõe-se, misturam-se e somem.

Entristeço-me por saber que não rápido me desprendi.
Quero voltar!
Mas...
Responsabilidades me chamam
E a imaginação não é mais um hábito, mas um previlégio.

Relembro meus momentos de criança,
Após o ar quente e agradável do vento que dançou com a cortina
Deixando o leve cheiro da tarde em meu quarto.

Tão fácil era criar personagens.
Ser a princesa dos filmes,
Sonhar como o amor puro e verdadeiro
Acreditando que realmente existisse;
Mantendo-me por horas neste perfeito universo a parte.
Tão fácil...

Retorno da lembrança,
Percebo minha face intacta,
Minha íris paralizada, perdida nas recordações
Que ruborizam-me anunciando o choro da saudade..
Pois, hoje, só consigo permanecer 
neste paralelo mundo de sonhos por minutos.
Princesas que facilmente encenava,
Agora não conseguem encontrar-me tão plena para aceitar tal sonho.
Bloqueio involuntário, causado pelos calos da maturidade que corta minhas asas,
Desfaz os amores perfeitos,
Despem os principes e os mostra como homens.
Homens comuns,
Com defeitos e que como eu não acreditam na perfeição do amor.

Assim,...
Livros encantados se desfazem em pó,
Filmes queimam seus negativos
E o que sobra?
Somente uma parte de mim,
Talvez remanescente do coração de criança
Que te busca nos contos
E espera pelo dia
Que dentre as vazias pegadas que passam por mim
Uma deixe sua marca.

Um coração que procura esperança em letras de músicas,
Que tenta ouvir sua alma nas entrelinhas dos livros,
Que luta para não deixar morrer esta parte de si;
Que a faz feliz, transformando cada salgada  gota de lágrima
No mais perfeito perfume...
E que por fim, acredita no “Felizes para sempre”.

Quem sabe nem tudo esteja perdido.
 E um dia a realidade me acorde por completa
Suave e sutil, diferentemente das outras vezes,
Convidando-me a viver uma vida real numa realidade eterna,
Mas como se fosse apenas um sonho.







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